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Anúncio da campanha "Mude de vida" do Millenium BCP - canais televisivos - 01/01/2010

Boa tarde,

Gostaria de fazer um comentário ao vídeo da vossa campanha “Mude de vida”.

A forma como se baseia no aproveitamento e, consequentemente, perpetuação do estereótipo do ciclista como o indivíduo sem dinheiro, a bicicleta como o meio de transporte dos que não têm meios para escolher algo melhor, e a natural evolução para veículos motorizados (primeiro a scooter, depois o carro) à medida que se “sobe na vida”, merece o nosso repúdio.

Esta campanha baseia-se num preconceito que se revela cada vez mais desfasado da realidade, ao mesmo tempo que contribui para a despromoção social de um estilo de vida saudável, ambientalmente inócuo, e económico.

Isto significa que, numa época de obesidade infantil, AVC's e outras doenças relacionadas com o sedentarismo a atingir níveis de “epidemia”, problemas gravíssimos de congestionamento e usurpação de espaço público pelo excesso de automóveis (com a consequente sinistralidade rodoviária e doenças associadas à poluição atmosférica e sonora), e sobre-endividamento crónico das famílias, o Millenium BCP vem promover socialmente opções e um estilo de vida fortemente implicados nestes 3 problemas, contribuindo assim para os reforçar e agravar, em vez de procurar fazer parte da solução…

Uma pessoa que opta por se deslocar de bicicleta é mais saudável, contribui infinitamente menos para o congestionamento rodoviário das cidades, e tem maior rendimento disponível do que se optasse por se deslocar de carro. O que tem acontecido é que muitas vezes “mudar de vida”, no sentido de “subir na vida” significa passar do automóvel para a bicicleta, pois significa poder optar por viver mais perto do trabalho e da escola dos filhos, escolher uma casa mais no centro da cidade em vez de ter que recorrer aos preços mais baixos das casas nos subúrbios (gastando depois mais dinheiro com as deslocações diárias). Hoje em dia, muitos dos ciclistas até são pessoas com formação superior, profissionais liberais, quadros de empresas, empresários, investigadores científicos, etc. Que não precisam de ver os preconceitos que lhes dificultam por vezes a vida a serem reforçados pelos media, e pelos seus próprios bancos…

Penso que poderão ser mais exigentes com as agências que contratam para desenvolver as vossas campanhas, de modo a criar anúncios que funcionem e que passem mensagens positivas.

Grata pela atenção.

P.S.: Este e-mail foi publicado aqui: http://wiki.bicicultura.org/campanhas/media/observatorio

Cumprimentos,

Lisboa: porque falham as ciclovias e o carpooling - i online - 02/02/2010

Bom dia,

Gostaria de fazer um breve comentário a um artigo publicado na secção Zoom no dia 02/02/2010:

Lisboa: porque falham as ciclovias e o carpooling

A 3 de Junho de 2007, o então candidato à Câmara Municipal de Lisboa,
António Costa, pegou numa bicicleta — o que “já não fazia há anos”,
como confessou — e pedalou entre o Príncipe Real e o Cais do Sodré.
“Foi uma boa experiência“, disse Costa no final. Costa só revelou
dificuldades na subida final do Cais do Sodré para o Largo do Carmo e
com o passeio, o agora presidente da Câmara, queria desmontar a ideia
de que não é possível andar de bicicleta em Lisboa. A pouco e pouco a
rede vai aumentando mas bicicletas nas ruas de Lisboa são poucas ou
nenhumas.

A que se refere, concretamente, quando diz que “pouco e pouco a rede vai aumentando”?…

Bom, queria apenas dizer que as bicicletas na rua estão aí para quem as quiser ver, e têm aumentado significativamente nos últimos 3 anos. Reflexo disso é o número crescente de participantes da Massa Crítica, que atingiu o seu máximo histórico com quase 200 ciclistas em Setembro do ano passado (6º aniversário): http://massacriticapt.net/?q=sobre-a-massa-cr-tica/massa-cr-tica-em-lisboa/registo-de-bicicletadas/massas-cr-ticas-em-lisboa/bic-2

João Donato é uma excepção. Importou a sua bicicleta eléctrica laranja
da China — “custou-me 400 euros e cá uma semelhante custaria 800” —
para fazer todos os dias um percurso de 3.5 quilómetros, entre o
Colombo e o Estádio de Alvalade: “É confortável, faço exercício, evito
as buzinas e economicamente tem mais vantagens. Poupo na gasolina e a
bateria é carregada em casa, mas nem noto na conta da luz.” Mas há
quem olhe para as bicicletas como um perigo. “Há uns tempos os meus
filhos pediram-me para utilizar as bicicletas como meio de transporte
em Lisboa”, conta José Manuel Viegas. Na hora da resposta, o professor
catedrático do Instituto Superior Técnico nas Áreas em Urbanização e
Transportes não hesitou: “Nem pensar, os riscos em termos de segurança
são gigantescos”.

Teria sido interessante se a Sílvia tivesse procurado saber por que é que o Prof. JMV acha que andar de bicicleta em Lisboa representa um «risco de segurança gigantesco», nomeadamente comparado com as alternativas (automóvel, mota, transportes públicos + andar a pé). Isto é, em que factos se baseia, para não nos limitarmos a propagar crenças pessoais mal fundamentadas, pois a inegável credibilidade profissional do interlocutor não substitui a argumentação.

José Viegas, que em tempos trabalhou para a Câmara Municipal de Lisboa
na elaboração de um plano pedonal, deixou de fora deliberadamente a
rede de ciclovias.

Há mais bicicleta para além das ciclovias, ao contrário da crença popular. A criação de condições mais favoráveis à utilização da bicicleta como meio de transporte em determinado corredor envolve vários passos antes de se ter que recorrer a vias segregadas para ciclistas (ver: http://mariojalves.googlepages.com/problemas_segregacao_bicicleta.pdf):

1. Reduzir a quantidade de tráfego
2. Reduzir a velocidade de circulação
3. Tratamento de cruzamentos e gestão de tráfego
4. Redistribuição do espaço dedicado ao automóvel
5. Implementação de Faixas Cicláveis ou Pistas Cicláveis

“Não sabemos gerir a transição. Em Copenhaga ou Amesterdão o condutor
sabe que tem de contar com os ciclistas. Cá, os ciclistas são
elementos estranhos e isso torna as bicicletas muito vulneráveis,
justifica.

Esta afirmação leva os mais incautos a assumir que os motoristas não são capazes de identificar e lidar na via pública com algo que não seja um veículo motorizado de 4 rodas a circular a mais de 50 Km/h. Ora, não temos dados para sustentar tal hipótese, e a experiência indica-nos o contrário. Um ciclista operando como um condutor de um veículo, seguindo as regras de trânsito estabelecidas, e adoptando uma condução assertiva e cuidadosa, é normalmente reconhecido pelos motoristas como mais um elemento do trânsito, e de um modo geral respeitado. Não é o facto de haver poucos ciclistas que os torna mais vulneráveis, é mais relevante o facto de não lhes ser disponibilizada (equidade nos direitos legais estabelecidos no Código da Estrada e), antes de mais, formação (facultativa), tendo que aprender por tentativa e erro com a experiência (mais moroso e perigoso) e aqui a CML poderia intervir em vez de se eximir de servir os ciclistas da cidade.

Em Copenhaga, mais de 36% dos 500 mil habitantes utilizavam a
bicicleta como meio de transporte preferencial em 2007. Em Lisboa, com
uma população semelhante, os 500 mil carros que todos dos dias entram
na capital sugerem que a utilização de bicicletas está perto de zero.

Contra factos não há argumentos. Contudo, importa saber o que tem ou o que fez Copenhaga de diferente para ter uma distribuição modal mais favorável para a bicicleta. Cruzar os braços e não fazer nada não vai ajudar a mudar o estado das coisas.

De notar ainda que é relevante olhar para a distribuição modal global ao comparar duas cidades: a % de viagens feitas de bicicleta varia bastante entre Lisboa e Copenhaga, sim. Mas como se comparam as viagens feitas de carro? E de transporte público? E a pé? Quais as causas e as consequências de tais distribuições modais? Se calhar Lisboa até tem uma menor % das viagens totais feitas de carro do que Copenhaga ou Amsterdão…

“Basta andar de olhos abertos: na Avenida da Liberdade passam
milhares de carro por hora. E quantas bicicletas?”, interroga-se José
Manuel Viegas.

Muitas menos, concerteza. Mas numa cidade em que não há ninguém interessado o suficiente para sequer se dar ao trabalho de realizar e publicar contagens oficiais regulares, registar e analisar os acidentes envolvendo ciclistas (por si só, com peões ou com veículos motorizados), e publicar as conclusões, e conhecer os ciclistas e saber o que eles querem para melhorar as suas condições, é natural que o crescimento do uso da bicicleta seja muito mais lento, e fique sempre muito aquém do verificado em cidades realmente preocupadas em servir toda a sua população, em vez de servir, preferencialmente, a parte que se desloca de carro.

Convido a Sílvia a conhecer melhor este tema da bicicleta como meio de transporte, explorando os seguintes recursos:

http://wiki.bicicultura.org
http://massacriticapt.net/
http://mubi.pt
http://fpcub.pt
http://ciclo-via.org
http://planeta.bicicultura.org/

Grata pela sua atenção.

Cumprimentos,

A estrada impõe respeito a todos - Global Notícias - 09/02/2010

Boa tarde,

Gostaria de fazer um breve comentário ao editorial publicado na edição de hoje do vosso jornal:

editorial
Silva Pires
DIRECTOR

A ESTRADA IMPÕE RESPEITO A TODOS

Nada me move contra os ciclistas. Pelo contrário. Sou o mais possível pela criação de ciclovias. Quantas mais melhor – desde que façam sentido, é claro. Mas enquanto automobilista, não posso deixar de lamentar o continuado desrespeito pela segurança por parte dos muitos ciclistas de fim-de-semana que não utilizam as ciclovias. Colocar um capacete e ter toda a panóplia de sinalizadores está longe de ser tudo. A estrada impõe respeito pelos outros. E circular com um automóvel de apoio atrás (e sem os piscas a funcionar), ou passear em grupo sem ser em fila são comportamentos inaceitáveis, infelizmente vulgares e que importa ver como qualquer outra transgressão.

A perspectiva que aqui partilha não é invulgar entre os motoristas, mas é, de qualquer modo, desfasada da realidade.

Antes de mais, “ser pelos ciclistas” não é igual a “defender a criação de ciclovias”, ao contrário da crença popular. Mas tem razão numa coisa, as ciclovias que sejam construídas devem “fazer sentido”, coisa que muitas não fazem pelo modo como estão implementadas, e por todas as outras medidas a tomar sobre a via pública, mais urgentes e importantes, que a construção destas ciclovias adia.

Gostaria de saber em que se baseia para designar de “desrespeito pela segurança” a não utilização das ciclovias por parte dos ciclistas. De que modo é que tal comportamento põe em risco a segurança seja de quem for?…

Dada a má qualidade das ciclovias construídas em Portugal, associada a um Código da Estrada obsoleto e negativamente discriminatório de tudo o que não seja o condutor de um veículo motorizado, andar na maior parte das ciclovias é que é um desrespeito pela segurança - de ciclistas, peões e até motoristas.

Tem razão quando diz que pôr um capacete e luzes não é tudo. Saber conduzir é muito mais importante, mas muitas vezes negligenciado pelos ciclistas. Isto é, em grande parte, culpa do Estado, que não providencia formação para os ciclistas que a queiram obter. Esta formação não deverá ser obrigatória, pois constituiria uma burocracia desnecessária e um desincentivo à opção pelo uso da bicicleta, quando a fraca formação dos ciclistas não é a causa principal de uma quantidade relevante de acidentes para justificar tal restrição.

Não é a estrada que impõe respeito pelos outros, essa regra transcende a interacção na estrada.

«Circular com um automóvel de apoio atrás (e com os piscas a funcionar)» é algo associada a competições desportivas, não à normal utilização da via pública, pelo que tal não constitui uma transgressão ao nosso CE, e nem sequer pode ser considerado um «comportamento inaceitável», pois de que forma é que a ausência de um carro-vassoura afecta a segurança do trânsito ou os direitos e deveres dos condutores (de velocípedes e veículos motorizados)?…

Afirma que «passear em grupo sem ser em fila» é um comportamento inaceitável. Porquê? Se um grupo de pessoas se deslocarem juntas de bicicleta, a fluidez do trânsito global será maior se o grupo seguir um pouco mais compacto (a par), do que se seguirem numa fila mais comprida, pois facilitará as ultrapassagens por parte de outros veículos.

Este comportamento só poderá ser um problema se só houver uma via de trânsito em cada sentido e houver tanto tráfego em sentido contrário (ou for uma estrada sinuosa sem visibilidade) que as ultrapassagens se tornam difíceis (e assumindo que no sentido de trânsito dos ciclistas não há congestionamentos e que só a sua velocidade condiciona quem os segue). Neste caso só se poderá considerar “inaceitável” os ciclistas não seguirem em fila se houver efectivamente condições de segurança que lhes permitam chegarem-se mais para a direita para facilitar a ultrapassagem - contudo, muitas vezes não existem essas condições de segurança porque a via não tem largura suficiente para tal, sendo que quanto maior a velocidade de ultrapassagem (e os motoristas tendem a transgredir neste ponto) maior a distância que deverá haver entre o ciclista e a berma da estrada e o veículo que o ultrapassa. Dado que o ciclista é a parte mais vulnerável neste jogo, cabe apenas a ele avaliar as condições da via e do trânsito e decidir como agir para salvaguardar a sua segurança, dado que os motoristas arriscam demasiado com a segurança dos outros, pois sentem-se protegidos nas suas carapaças metálicas desenhadas para os proteger dos seus próprios excessos e faltas.

Pôr tanta importância no comportamento dos ciclistas, preocupando-se com os seus comportamentos alegadamente inaceitáveis e ilegais, desvia a atenção do real problema de segurança rodoviária: os motoristas. O maior poder (amplamente exercido diariamente como se pode constatar pelas estatísticas publicadas pela ANSR e afins) de destruição e morte é detido pelos condutores de automóveis, e é o excesso destes e os excessos dos mesmos, que deve urgentemente ser resolvido. Atacar um grupo minoritário e de um modo geral inofensivo para os motoristas, procurando impôr-lhes uma rectidão comportamental que não se exige aos pares, é atirar areia para os olhos da sociedade.

P.S.: Este comentário foi publicado em http://wiki.bicicultura.org/campanhas/media/observatorio

Grata pela atenção.

Cumprimentos,

Homem atropelado na Marginal - TV24 - 03/02/2010

Boa tarde,

Gostaria de fazer um breve comentário a esta notícia, publicada ontem no vosso site: http://www.tvi24.iol.pt/sociedade/inem-ambulancia-acidente-atropelado-tvi24-marginal/1136152-4071.html

Título: «Homem atropelado na Marginal» Sub-título: «O acidente aconteceu quando o homem passeava de bicicleta»

Texto:

Um homem foi atropelado esta terça-feira, no Monte Estoril, concelho de Cascais, quando passeava de bicicleta na Marginal. O homem ficou ferido e foi transportado para o Hospital São Francisco Xavier disse fonte do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), citada pela Lusa. A mesma fonte esclareceu que o homem, de 33 anos, «estava a andar de bicicleta na Marginal, na zona do Monte Estoril, quando se desequilibrou e caiu, acabando por ser atropelado por um carro que circulava sem grande velocidade». «O homem estava consciente mas desorientado, com um traumatismo lombar e um traumatismo craniano moderado», acrescentou. O alerta foi dado ao 12:55 e no local estiveram uma viatura de assistência médica do INEM, uma ambulância do Hospital de Cascais e os Bombeiros do Estoril.

Esta notícia é igual a muitas outras relacionadas com incidentes de trânsito. Contudo, e por envolver um ciclista, gostaria de chamar a atenção para alguns detalhes.

Vivemos numa sociedade centrada no automóvel, e nas pessoas que possuem e optam por se deslocar em automóvel. As restantes tendem a ser, por isso, prejudicadas: têm piores condições de conforto e de segurança nas suas deslocações, e têm uma imagem social desvalorizada, o que leva a perpetuar o ciclo vicioso ao levá-las a optar pelo carro quando têm condições para tal.

A sinistralidade rodoviária é alarmante em Portugal, nomeadamente mas não só, a que envolve utilizadores vulneráveis (peões e ciclistas), e a maior causa da mesma é o comportamento inábil, incompetente ou simplesmente irresponsável dos motoristas. A solução não está em eliminar os peões e os ciclistas das ruas, muito pelo contrário, mas em controlar a causa dos acidentes: o excesso de velocidade dos automóveis, a falta de atenção dos motoristas, etc. De outro modo, as pessoas procurarão proteger-se do risco rodoviário optando pela maior e mais pesada “carapaça” que puderem e, logo, mais mortífera para todos os outros utentes das vias públicas, perpetuando e intensificando o ciclo de violência. Neste cenário, é frequente instigar no público o medo de andar a pé, de bicicleta ou em qualquer coisa que não seja um SUV gigante, piorando e reforçando o problema.

As pessoas que optam por se deslocar de bicicleta são negativamente discriminadas relativamente àquelas que optam por se deslocar de carro ou outro veículo motorizado, e o Código da Estrada é uma das matrizes legais para essa discriminação, ao conter alguns artigos que despromovem os ciclistas face aos motoristas.

Tudo isto conflui para a manutenção de uma imagem social dos ciclistas que os retrata com uma ou várias em simultâneo destas características: infantis, pobres, sem formação nem capacidades de condução de veículos, deslocando-se em contexto de lazer ou de desporto, irresponsáveis. Ao mesmo tempo que, por oposição, os motoristas são adultos, com rendimentos, formados e competentes na condução, a deslocar-se em trabalho ou para algo “útil”, responsáveis.

Estes estereótipos são cada vez mais falsos, e prejudiciais, pelo que importa combatê-los. Tal faz-se tendo um cuidado extra ao relatar episódios como aquele que foi objecto da notícia por vós publicada.

Posto isto, e relativamente à notícia em causa, gostaria de colocar as seguintes questões:

1) «O acidente aconteceu quando o homem “passeava de bicicleta”» é um facto ou é uma interpretação do jornalista? O que quero enfatizar é que “andar de bicicleta” é diferente de “passear de bicicleta”, tal como o é se o veículo em causa for um carro. E mesmo que se vá “passear” pela Marginal, de carro ou de bicicleta, temos os mesmos direitos e deveres na estrada que o vizinho do lado que vai para o trabalho ou que está efectivamente “em” trabalho: o CE não distingue entre contextos ou propósitos do trânsito de veículos.

2) Se o condutor do carro que atropelou o ciclista «circulava sem grande velocidade» como é que conseguiu atropelar o ciclista? Se não foi por excesso de velocidade terá sido provavelmente por não manter a distância de segurança que deveria manter de um veículo intrinsecamente instável como uma bicicleta, não será? Não foi irresponsabilidade do ciclista que resolveu ir “passear” para a Marginal, mas foi sim irresponsabilidade do motorista que não soube manter entre o seu carro e aquela bicicleta a distância necessária para que, à velocidade a que se deslocava, conseguir parar a tempo e em segurança caso o ciclista à sua frente também parasse. Importa procurar apontar possíveis causas para os acidentes.

3) Porque é que o ciclista se desequilibrou? Algum obstáculo na via? Estava a ser ultrapassado perto demais por um automóvel e foi deixado sem espaço de manobra?

Esclarecer e especificar estas circunstâncias ajudaria a combater o estigma social que ainda afecta os ciclistas (e os peões). De outro modo, qual a relevância desta notícia? A TVI24 publica TODOS os incidentes com ciclistas? Ou só os que envolvem ciclistas E automóveis?

Agradeço a atenção dispensada.

P.S.: Este e-mail foi publicado aqui: http://wiki.bicicultura.org/campanhas/media/observatorio

Cumprimentos,

campanhas/media/observatorio/comentarios/comentarios.txt · Esta página foi modificada pela última vez em: 2010/11/21 00:57 (Edição externa)